
A gente fica branco, as pernas bambeiam, o coração dispara. Dá um apagão na mente, você não pensa e nem se lembra de mais nada. Ela mexe pra lá, pra cá. Você fica parado, depois se enrosca no lençol. Ela fica em cima e você em baixo. Você fica em cima e ela em baixo. Vai para um lado, pro outro, sente o gosto salgado do suor. Você não quer sair dali nunca mais. O mundo lá fora pode estar acabando. Na verdade é o mundo aqui dentro dessas paredes que parece que vai acabar. Mas que ele acabe assim, desse jeito, nessa posição. Você só falta explodir.
É tanta perna que meus olhos só enxergam até o joelho. Eu subo mais um pouco, ela desce mais um pouco, desce até demais. Faz barulho, faz cara feia. A gente se joga de tal maneira que meus braços vão parar num cato da sala e quando vejo suas pernas já estão na janela. Minha cabeça já ultrapassou os limites do universo, os seus quadris estão em um forró lá no nordeste, e eles me chamam para dançar. E como dançam! E com é gostoso esse forró. Pode ser de qualquer jeito, em cima do sofá, no chão, na cama, perto da tv, dentro do criado mudo. Meu Deus, eu nunca pensei que se pudesse fazer amor pendurado no lustre. Sim é possível.
Suspiros ficam soltos no ar. Palavrões? A gente não precisa disso para amar. Nossos corpos são uns só, ligados por uma energia mágica que nem a física, biologia ou química conseguiriam explicar. Seus olhos pregados nos meus e o seu hálito já é o meu hálito. De repente tudo se embola. Minha nuca fica próxima do calcanhar. Nossos braços se cruzam como espadas em uma guerra. Sua barriga está ao mesmo tempo do meu lado esquerdo e direito. Seus cabelos se espalham ao redor e preenchem todo o vazio de nossos corpos. Eu estou dentro dela e ela em mim E como uma mágica dos deuses o nó se desfaz.
As paredes tremem, o vizinho já deve estar puto. Não há droga no mundo que supere o prazer de um amor feito, quer dizer, bem feito. É tanta energia concentrada em um só objetivo que chega uma hora que não se sabe mais onde colocar as mãos, enfiar as pernas, roçar a cabeça. Não se sabe mais para onde olhar, que parte beijar. Isso é amor. Acabam-se as gentilezas, o romantismo, o cavalheirismo. O importante mesmo é estar dentro, literalmente. A gente fica ali. E a gente fica assim, a noite toda, sempre querendo mais, sem limites. Aliás, sexo é uma coisa que não combina com limites. Sexo é sem limites.
No silêncio da noite, exaustos dormimos. É numa hora dessas que me pergunto, pra que dormir? E quando a noite acaba, vem o dia. Que dia! Que dia!
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Só para manter o tema, abaixo vai um texto do Fernando Veríssimo. Saboreiem e se divirtam!!!
Crônica do sexo- Pai...
- Hummm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e Feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem sexo masculino e sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "o palavro"
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática...